Mulher Germinando

Encontro de poéticas pontuais vividas e desenvolvidas que trazem o embrião do personagem Ella (Mulher de barro) à tona abrindo portal para o cinema.

A convite de Camilo Soares um grupo de artistas da cidade do Recife tiveram participação na sua obra, ”Uma carta para Marselha”2013. O trabalho fala de caixas postais desativadas na cidade de Marselha- França e que, representadas através de fotografias seria o mote para as intervenções dos artistas no bairro do Recife e Santo Amaro, “Carta pra Recife”, por existir uma identificação visual entre as duas cidades. Cada artista convidado escolheu uma imagem e desenvolveu seu trabalho.

Pichei o muro do cemitério. Construção estranha invadindo a calçada pública e entrando na vida das pessoas que ali passam, Av. Mário Melo-Recife! Um paredão que carrega o peso da morte dos que estão atrás do muro, e dos que estão fora, uma certa ilusão, já que o muro em potencial está ali para dar apoio estrutural a túmulos e ossuários. A imagem escolhida por mim chegou no momento certo, na hora certa, para cumprir sua última missão já que parecia estar fechada para sempre. Um grito de horror, um gesto de amor!  Eu, tu, ele, nós, vós, eles,. Tem que ser assim? (performance -  pichação sob cartazes colados no muro)

O reconhecimento da imagem escolhida reverberou no inconsciente e fluiu no momento em que fui convidada para fazer intervenção urbana nessa área da cidade, Bairro de Santo Amaro. Após dias da ação alguns posters se soltaram do muro. Recolhi e passei a conviver com os pronomes eu tu nós, mote para desenvolvimento do primeiro trabalho que faria parte de um conjunto de obras. EU TU NÓS, objeto cerâmico, série 1/10, representação do sentimento, do que foi vivido durante a ação. Nele foi criada uma mandala com os pronomes eu tu ele nós vós eles em círculo e nichos contendo figuras se relacionando e relacionadas ao dentro e fora do muro.

Participando da coletiva ”Cerâmica Contemporânea”, 2014, tive a oportunidade de trazer para o ”Museu”, a “Cidade”. Carta pra Marselha mais os posters (TEM QUE SER ASSIM?)e a série Eu Tu Nós era o início do diálogo entre si e apontam para uma estória que se abre para uma nova dimensão: A reprodução da imagem da caixa postal toma dimensão real  dos túmulos existentes no local do cemitério e uma instalação surge com todos os pronomes em cada uma das  imagens “eu tu ele nós vós eles”.Pensar no que se pode ter ou ser a partir do estar ATRÁS DO MURO.Encontrar a verdade no que está escondido ainda não era o suficiente, havia um ponto a mais!

NÃO TENHO MAIS CORAÇÃO, TENHO A NATUREZA DENTRO DE MIM. 

ELLA ressurge após 10 anos ( Tempo de Carne e Osso)para materializar e intensificar esse grito, o respeito pelo que foi toda uma vida! E é através da argila que ela se prolifera em matas e fungos  se transformando numa instalação viva que vai ter seu percurso natural de nascimento, vida e morte vividos e assistidos pelo público que frequentou a exposição.

MULHER MADURA é a ponte entre esses dois mundos que falam de tempo, vida e morte, e o cacto representa uma nova pele, como já previa na época ao criar o texto escrito na face DELA: Fósseis de Mulher Madura encontrados no Seridó, deixando fragmentos e adquirindo uma nova pele. Parecia querer buscar suas origens.(objetos - vivência Tempo de Carne e Osso)

As MANDÁLAS PRO CÉU tem a função de respirar o espaço um tanto denso. Representam ossos fossilizados contendo  gravuras em baixo relevo da imagem do artérias  marcando o que ficou de uma vida, memórias...elas ficam e a essência flui!!

A  música  cedida carinhosamente por Vitor Araújo (Solidão 3)cria atmosfera no espaço e une todos os trabalhos.

- Veja o Catálogo: Arte Cerâmica Contemporânea 

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